Os Novíssimos
do homem
MEDITAÇÕES DOS SANTOS DE DEUS - VOL.1 - SÃO JOÃO BOSCO - OS NOVÍSSIMOS DO HOMEM MEDITAÇÕES DOS SANTOS DE DEUS - VOL.3 - SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO- OS NOVÍSSIMOS DO HOMEM MEDITAÇÕES DOS SANTOS DE DEUS -VOL.4 -SÃO FRANCISCO DE SALES- OS NOVÍSSIMOS DO HOMEM) |
A Morte: o primeiro novíssimo
O Livro do Eclesiástico contém um conselho fundamental para nossa salvação: “Em todas as tuas obras, lembra-te dos teus novíssimos, e jamais pecarás (Ecl. 7, 40). Assim se recordamos sempre da morte, do juízo, do céu e do inferno jamais pecaremos. Se o mundo anda tão mal, é porque pouco se medita ou mesmo não se cogita seriamente sobre os Novíssimos. Os Santos, no entanto, não só os tinham sempre presentes, mas também pregavam sobre eles aos outros. Um deles foi o grande Santo Afonso Maria de Ligório, Doutor da Igreja e grande moralista.
Aos 22 anos, formado em Direito Civil e Canônico e um dos mais promissores advogados de Nápoles, tudo abandonou, após um lapso involuntário na defesa de uma causa judicial, para entregar-se às pregações populares.Fundou a Congregação do Santíssimo Redentor e escreveu inúmeras obras. É de sua famosa Preparação para a Morte que extraímos trechos que versam sobre os Novíssimos.
* * *
“Considerai que sois pó, e que em pó vos haveis de tornar. Virá um dia em que morrereis e sereis lançado à podridão num fosso, onde o vosso único vestido serão os vermes. Tal é a sorte reservada a todos os homens, aos nobres e aos plebeus, aos príncipes e aos vassalos. Logo que a alma saia do corpo com o último suspiro, dirigir-se-á à eternidade e o corpo deverá reduzir-se a pó.
“Imaginai que estais vendo uma pessoa que acaba de exalar o último suspiro; considerai esse cadáver deitado ainda no leito, com a cabeça pendida sobre o peito, os cabelos em desalinho banhados ainda nos suores da morte, os olhos encovados, as faces descarnadas, o rosto acizentado, a língua e os lábios cor de ferro... o corpo frio e pesado. Empalidece e treme quem quer que o vê. Quantas pessoas, à vista de um parente ou de um amigo morto, não mudaram de vida e não deixaram o mundo!
“Mais horrível ainda é o cadáver quando principia a corromper-se. Há apenas 24 horas que esse moço morreu, e já o mau cheiro se começa a sentir. É preciso abrir as janelas e queimar incenso; é preciso quanto antes enviar esse corpo à igreja e entregá-lo à terra, com receio de que venha a infeccionar toda a casa. ....
“No que se tornou esse orgulhoso, esse dissoluto! Ainda há pouco acolhido e desejado nas sociedades, agora objeto de horror e de desgosto para quem o vê! .... Há bem poucos instantes ainda, não se falava senão do seu espírito, da sua polidez, das suas belas maneiras, dos seus bons ditos; mas apenas está morto, já se perdeu a lembrança de tudo isto. ....
“Pensai bem que, assim como vós fizestes na morte dos vossos amigos, assim os outros agirão convosco. Os vivos entram para aparecer por sua vez na cena, ocupando os bens e os lugares dos mortos, e destes já não se faz ou quase não se faz caso ou menção. ...
“Na morte é preciso deixar tudo. O irmão de Tomás de Kempis, esse grande servo de Deus, felicitava-se por ter construído uma casa magnífica. Houve porém um amigo que lhe notou um defeito. ‘Onde está?’ – perguntou ele. Respondeu-lhe o amigo: ‘O defeito que lhe acho é terdes vós mandado construir nela uma porta’. ‘O quê! Uma porta? Pois isso é defeito?’. ‘Sim – acrescentou o amigo – porque um dia, por essa porta, devereis sair sem vida, e assim deixar a casa e tudo o mais’.
Juízo: o segundo novíssimo
Abordaremos agora o segundo novíssimo: o Juízo. Para isto reproduzimos o texto abaixo, de Santo Afonso Maria de Ligório, sobre o juízo da alma culpada, na sua admirável obra Preparação para a morte.
Do Juízo
Particular
A alma culpada diante do Juiz
É sentimento comum entre os teólogos que o Juízo particular se faz logo que o homem expira, e que no próprio lugar onde a alma se separa do corpo, aí é julgada por Jesus Cristo, que não manda ninguém em seu lugar, mas vem Ele mesmo para este fim.
A sua vinda, diz Santo Agostinho, é motivo de alegria para o fiel e de terror para o ímpio. Qual não será o espanto daquele que, vendo pela primeira vez o seu Redentor, o vir indignado! Esta idéia causava tal estremecimento ao Padre Luís Dupont, que fazia tremer consigo a cela. O venerável Padre Juvenal Aucina, ouvindo cantar o Dies Irae (Dia da Ira), pensou no terror que se lhe havia de apoderar da alma quando se apresentasse no dia do Juízo, e resolveu deixar o mundo, o que efetivamente fez. O aspecto do Juiz indignado será o anúncio da condenação. Segundo São Bernardo, será então mais duro sofrimento para a alma ver Jesus Cristo indignado do que estar no inferno.
Têm-se visto criminosos banhados em copioso suor frio na presença de um juiz terrestre. Pison, comparecendo no senado com as insígnias da sua culpa, sentiu tamanha confusão, que a si próprio deu a morte. Que pena não é para um filho ou um vassalo ver seu pai ou o seu príncipe indignados! Que maior mágoa não deve sofrer uma alma à vista de Jesus Cristo, a quem desprezou durante toda a vida! Esse Cordeiro, que a alma via tão manso enquanto estava no mundo, vê-Lo-á agora irritado, sem esperança de jamais O apaziguar. Então pedirá às montanhas que a esmaguem e a furtem das iras do Cordeiro indignado. ....
Considerai a Acusação e o Exame. Haverá dois livros: o Evangelho e a Consciência. No Evangelho ler-se-á o que o culpado devia fazer; na Consciência, o que tiver feito. Na balança da divina justiça não se pesarão as riquezas, nem a dignidade, nem a nobreza das pessoas, mas sim, somente as obras. Diz Daniel: "Fostes pesado e achado demasiadamente leve". Vejamos o comentário do Padre Alvarez: "Não é ouro nem o poder do rei que está na balança, mas unicamente sua pessoa".
Virão então os acusadores, e em primeiro lugar o demônio, diz Santo Agostinho. Representará as obrigações em que não nos empenhamos e que deixamos de cumprir, denunciar-nos-á todas as faltas, marcando o dia e o lugar em que as cometemos.
Cornélio a Lapide
acrescenta que Deus porá novamente diante dos olhos do pecador os exemplos dos
santos, todas as luzes e inspirações com que o favoreceu durante a vida e, além
disso, todos os anos que lhe foram concedidos para que os empregasse na prática
do bem. Tereis, pois, de dar conta até de cada olhar, diz Santo Anselmo. Assim
como se funde o ouro para o separar das escórias, assim são examinadas as boas
obras, as confissões, as comunhões etc.
Do Juízo Particular
II
O justo experimenta, ao morrer, um prelibar da alegria celestial
“Com que
alegria não recebe a morte o que se acha na graça de Deus e cedo espera ver
Jesus Cristo e ouvir-lhe dizer: ‘Bom e fiel servo, recebe hoje a tua
recompensa; entra por toda a eternidade na alegria do teu Senhor!’ Que
consolação não darão então as penitências, as orações, o desprendimento dos bens
terrestres e tudo o que se tiver feito em nome de Deus! Gozará então, o que
tiver amado a Deus, o fruto de todas as suas obras.
Persuadido desta verdade, o padre
Hipólito Durazzo, da Companhia de Jesus, longe de chorar, mostrava-se alegre
todas as vezes que morria algum religioso seu amigo com sinais de salvação. Que
absurdo – diz São João Crisóstomo – seria não acreditar na existência do paraíso
eterno e chorar o que para ele se dirige.
Que consolação
então nos dá especialmente a lembrança das homenagens prestadas à Mãe de Deus! –
tais como rosários, visitas, jejuns do sábado e congregações freqüentadas em
honra sua. Virgo Fidelis se chama a Maria, e como Ela é fiel em consolar
nos últimos momentos os seus servos fiéis!
Conta o Pe. Binet
que um piedoso servo da Santa Virgem dizia ao morrer: ‘Se soubésseis o
contentamento que, próximo da morte, sentimos na alma por termos procurado
servir bem à Santíssima Mãe de Deus durante a nossa vida, ficaríeis admirados e
consolados. Eu não posso significar a alegria do coração no momento em que me
estais vendo’.
Que alegria
também para o que amou a Jesus Cristo, e muitas vezes O visitou no Santíssimo
Sacramento e O recebeu na Santa Comunhão, ver entrar no quarto seu Senhor que
vem em Viático, para o acompanhar na passagem para a outra vida! Feliz então o
que lhe puder dizer como São Felipe Nery: ‘Eis aqui o amor do meu coração,
eis aqui o meu amor; dai-me o meu amor!’.
Dirá todavia
alguém com receio: ‘Quem sabe a sorte que me está reservada? Quem sabe se por
fim terei má morte?’ – A quem fala desta maneira, faço apenas uma simples
pergunta: O que é que torna a morte má? O pecado, só o pecado. Logo, é preciso
receá-lo unicamente, e não a morte, diz Santo Ambrósio. Quereis não recear a
morte? Vivei bem.
O Pe. de la
Colombière (Serm. 50) tinha por moralmente impossível que pudesse padecer morte
má o que foi fiel a Deus durante a vida. É o que já tinha dito Santo Agostinho.
O que está preparado para morrer não receia a morte, qualquer que seja, ainda
que venha de improviso.
E como só podemos
gozar a Deus por meio da morte, aconselha São Crisóstomo que de bom coração
ofereçamos a Deus este sacrifício necessário. Compreenda-se bem que aquele que
oferece a Deus a sua morte pratica para com Ele o ato de amor mais perfeito
possível, pois que, abraçando de bom coração esta morte que agrada a Deus, no
tempo e do modo que Deus quer, torna-se semelhante aos Santos Mártires”.
O Paraíso
Celeste
Em seu livro Preparação para a Morte, Santo Afonso trata também do último dos Novíssimos, isto é, do Paraíso Celeste, para onde vão as almas dos justos após sua purificação no Purgatório, ou então diretamente, pelo martírio ou por uma grandíssima santidade. A existência do Céu é igualmente dogma de Fé. Dentre os vários aspectos com que o Santo analisa o Paraíso, escolhemos para a leitura de hoje o capítulo Felicidade do Céu, que, julgamos, será de proveito espiritual para nossos leitores.
Depois de entrar na felicidade de Deus, a alma não
terá mais nada a sofrer. No paraíso não há doenças, nem pobreza, nem incômodos.
Deixam de existir as vicissitudes dos dias e das noites, do frio e do calor; é
um dia perpétuo, sempre sereno, primavera perpétua, sempre deliciosa. Não há
perseguições nem ciúmes; neste reino de amor, todos os seus habitantes se amam
mútua e ternamente, e cada qual é tão feliz da ventura dos outros como da
própria. Não há receios, porque a alma, confirmada na graça, já não pode pecar
nem perder a Deus. Tudo é novo, tudo consola, tudo satisfaz.
Os olhos deslumbrar-se-ão com a vista desta cidade cuja beleza é perfeita. Que
maravilha não nos causaria a vista de uma cidade cujas ruas fossem calçadas de
cristal, e cujas casas fossem palácios de prata ornados de cortinados de ouro e
de grinaldas de flores de toda espécie. Oh, quanto mais bela ainda é a cidade
celeste!
Que delicioso não será ver todos os seus habitantes vestidos com pompa real,
porque todos efetivamente são reis, como lhes chama Santo Agostinho: Quot
cives, tot reges.
Que delicioso não será ver Maria, que parecerá mais bela que todo o paraíso! Que
delicioso não será ver o Cordeiro divino, Jesus, o Esposo das almas!
Um dia Santa Teresa viu apenas uma das mãos de Cristo e ficou cheia de admiração
à vista de semelhante beleza.
Cheiros suavíssimos, perfumes incomparáveis regalarão o olfato. O ouvido ouvirá
arrebatado as harmonias celestes. Um Anjo deixou um dia São Francisco ouvir um
único som da música celeste, e o Santo julgou morrer de felicidade. O que não
será ouvir todos os Santos e todos os Anjos cantarem em coro os louvores de
Deus! O que não será ouvir Maria celebrar as glórias do Altíssimo! A voz de
Maria é no Céu, diz São Francisco de Sales, o que é num bosque a do rouxinol,
que vence a de todas as outras aves.
Numa palavra, o paraíso é a reunião de todos os gozos que se podem desejar.
Mas essas inefáveis delícias até aqui consideradas são apenas os menores bens do
paraíso. O bem, que faz o paraíso, é o Bem supremo, que é Deus, diz Santo
Agostinho. A recompensa que o Senhor nos promete não consiste unicamente nas
belezas, nas harmonias, nos outros encantos da bem-aventurada cidade; a
recompensa principal é Deus, isto é, consiste em ver Deus face a face a amá-Lo.
Assegura Santo Agostinho que, para os condenados, seria como estar no paraíso se
chegassem a ver Deus. E acrescenta que se fosse dado a uma alma, ao sair desta
vida, a escolha de ver a Deus ficando nas penas do inferno, ou ser livre das
penas do inferno e ao mesmo tempo privada da vista de Deus, ela preferiria a
primeira condição.
A
felicidade de contemplar com amor a face de Deus, não a podemos conceber neste
mundo, mas procuremos avaliá-la, ainda que não seja senão pela rama, segundo os
efeitos que conhecemos.
O Inferno
Já abordamos os temas da Morte, do
Juízo e do Paraíso Celeste. Trataremos agora do terceiro dos Novíssimos, isto
é, o Inferno. Há vários ângulos sob os quais se
Consideremos a pena dos sentidos. É de fé que existe o inferno. E no
centro da Terra se acha esta horrível prisão destinada a punir os que se
revoltaram contra Deus.
“O que é o inferno? Um
lugar de tormentos (Lc 16, 28), como lhe chama o mau rico que a ele foi
condenado: lugar de tormentos, onde todos os sentidos e todas as faculdades do
condenado devem ter o seu tormento próprio, e quanto mais se tiver ofendido a
Deus com algum dos sentidos, tanto mais terá a sofrer este mesmo sentido.
“A vista será atormentada
pelas trevas. De quanta compaixão nos possuiríamos se soubéssemos que existia um
infeliz encerrado em escuro cárcere por toda a vida, ou por quarenta ou
cinqüenta anos! O inferno é um abismo fechado de toda a parte, onde nunca
penetrará raio de sol ou de qualquer outra luz. Neste mundo o fogo ilumina; no
inferno, deixará de ser luminoso.
“Segundo São Basílio, o
Senhor separará do fogo a luz, de tal sorte que este fogo arderá sem iluminar, o
que Alberto o Grande exprime mais brevemente nestes termos: “Dividet a calore
splendorem” [separou do calor a luz]. O fumo que sair dessa fornalha formará
o dilúvio de trevas de que fala São Judas [Tadeu], e que afligirá os olhos dos
condenados. São Tomás diz que os condenados só terão a luz suficiente para serem
mais atormentados; a esta sinistra claridade, verão o estado horrendo dos outros
réprobos e dos demônios, que tomarão diversas formas para lhes causarem mais
horror.
“O olfato terá também o
seu suplício. Quanto não sofreríamos se nos metêssemos num quarto onde jazesse
um cadáver em putrefação! O condenado deve ficar no meio de milhões e milhões de
condenados, cheios de vida com relação às penas que sofrem, mas verdadeiros
cadáveres enquanto ao mau cheiro que exalam.
“Diz São Boaventura que o
corpo de um condenado, se acaso fosse atirado à Terra, bastaria com sua infecção
para fazer morrer todos os homens. E ainda há insensatos que se atrevem a dizer:
‘Se for para o inferno, não me hei de achar só!’ Infelizes! Quantos mais lá
encontrarem, tanto mais sofrerão, como assegura São Tomás. Tanto mais se
sofrerá, digo eu, por causa da infecção, dos gritos e do aperto, porque os
réprobos estarão no inferno tão juntos uns dos outros, como rebanho de ovelhas
encerradas no curral durante a tempestade; ou, para melhor dizer, serão como
uvas esmagadas no lagar da cólera de Deus.
“Daí nasce o suplício da
imobilidade: Fiant immobiles quasi a lapis (Exod. 15, 16). Pela maneira
como o condenado cair no inferno no último dia, dessa maneira viverá ali
constrangidamente, sem nunca mudar de situação, e sem nunca poder mexer pés nem
mãos enquanto Deus for Deus.
“O ouvido será
continuamente atormentado pelos rugidos e queixas desses infelizes desesperados.
A este barulho contínuo acrescentarão sem cessar os demônios ruídos pavorosos.
Quando desejamos dormir, é com o maior desespero que ouvimos o lastimar contínuo
de um doente, o ladrar de um cão ou o choro de uma criança. Qual não será o
tormento dos condenados obrigados a ouvir incessantemente, durante toda a
eternidade, esses ruídos e clamores insuportáveis!
“Pelo que diz respeito ao
gosto, sofrer-se-á fome e sede. O condenado sentirá uma fome devoradora, mas
nunca terá nem uma só migalha de pão. Além disso, será atormentado de tal sede
que nem todas as águas do mundo bastariam para lha apagar. Apesar desta terrível
sede, não terá uma só gota. O mau rico pediu-a, mas nunca a obteve e não a
obterá nunca, nunca!”
(Preparação para a Morte, Parceria Antônio Maria Pereira, Livraria Editora, Lisboa, 5a. edição, 1922, pp. 207 e ss.).
O INFERNO SEGUNDO AS REVELAÇÕES
DE SÓROR MARIA DE ÁGREDA
Superiora do Convento da
Imaculada Conceição, de vida contemplativa, na Vila de Ágreda (Espanha), em
1660, escreveu uma obra, de inspiração angélica, sobre a Vida da Virgem Maria.
Se não o conseguem,
procuram impedir que dêem fruto, inclinando-as a atos viciosos, inúteis ou
pueris.
Com tal iniqüidade, distraem as criaturas para não exercitarem a Fé, a
Esperança e outras virtudes.
Não se lembrando que são Cristãos, não se preocupam com conhecer a Deus, com os
mistérios da Redenção e da Vida eterna.
Além
disso, o mesmo inimigo inspira aos pais grosseira negligência e permissividade,
cego amor carnal pelos filhos, e incita os mestres a outros descuidos.
Uns e outros não advertem na má educação que ministram aos seus filhos
e educandos.
Deixam que se depravem com a aquisição de muitos hábitos viciosos,
perdendo as virtudes e boas inclinações.
Deste modo, vão trilhando o caminho da perdição.
Todavia, o Piedosíssimo
Senhor não se esquece de acudir a este perigo.
Renova a luz interior com novos auxílios e santas inspirações, com a
doutrina da Santa Igreja, através dos Seus pregadores e ministros, com o uso e
eficaz remédio dos Sacramentos.
Com estes e outros meios,
procura fazê-los voltar ao caminho da Salvação.
Se, com tantos
remédios, poucos voltam à saúde espiritual, a causa mais grave, para não
recuperá-la, é a tirania dos vícios e os depravados costumes adquiridos na
infância.
É o que afirma a verdadeira sentença do Deuteronômio (33, 25):
"Conforme os dias da juventude, assim será a velhice".
Tal juventude, tal velhice.
O PROGRESSO DA INIQÜIDADE Com isso, os demônios vão cobrando mais ânimo e tirânico domínio sobre as almas.
MEMÓRIA DOS NOVÍSSIMOS
Pelo mesmo processo, o Demônio
estabeleceu no mundo a sua tirania e o funesto esquecimento dos
Novíssimos do Homem:
- Morte,
- Juízo,
- Inferno,
- Paraíso.
E precipitou tantos povos de abismo em abismo, até fazê-los cair em
erros tão cegos e bestiais, como os de tantas heresias e os das seitas de
infiéis.
COMO COMBATER
Cuidado, pois, Minha filha, com tão abominável perigo, e nunca saiam da tua
memória a Lei de Deus (Sl 118, 92), os Seus Preceitos e
Mandamentos, as Verdades católicas e as Doutrinas evangélicas.
Não passe dia algum sem neles meditares longamente, e aconselha o mesmo
às tuas religiosas e a todos os que te ouvirem.
O vosso adversário, o
Demônio (1 Ped 5, 8), trabalha e esforça-se para obscurecer o
entendimento e fazer-vos esquecer a Lei Divina.
Sem o concurso do entendimento, a vontade (que é uma potência cega),
não produzirá os atos da justificação, que é alcançada com:
- Exercício de Fé viva,
- Esperança firme,
- Amor fervoroso,
- Coração contrito e humilhado (Sl 50, 19)