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Assunção de Maria Santíssima ao Céu - 15 de Agosto

“Mística Cidade de Deus”
...Cristo apresenta a alma de Maria no céu
Entrou
no CÉU empíreo nosso Redentor Jesus, conduzindo á sua direita a alma puríssima
de sua Mãe. Só Ela, entre todos os mortais, não teve matéria para o juízo
particular, nem se lhe pediu contas.
Assim lhe foi concedido, quando a fizeram isenta da culpa comum, eleita Rainha
dispensada das leis a que estão sujeitos os filhos de Adão. Pela mesma razão, no
juízo universal não será julgada como os outros, mas virá á direita de seu Filho
santíssimo, participando no julgamento de todas as criaturas.
No primeiro instante de sua Conceição, foi aurora claríssima e refulgente,
retocada com os raios do sol da Divindade, acima das luzes dos mais ardentes
serafins. Depois, elevou-se até tocar a própria Divindade, ao se tornar Mãe do
Verbo encarnado, Cristo. Era, portanto, conseqüente, que por toda a eternidade
fosse sua companheira, com a maior semelhança possível entre Filho e Mãe; Ele
Deus e Homem, e Ela pura criatura.
Com este titulo, o Redentor apresentou-a ante o trono da Divindade. Em presença
de todos os bem-aventurados, atentos a esta maravilha, a Humanidade santíssima
disse ao eterno Pai:
Meu eterno Pai, minha Mãe amantíssima, vossa Filha querida e Esposa mimoseada do
Espírito Santo, vem receber a posse da coroa e glória que lhe preparamos, como
recompensa de seus méritos. Nasceu entre os filhos de Adão, como rosa entre
espinhos, intacta, pura e formosa, digna de que a recebamos em nossas mãos e no
lugar onde não chegou nenhuma de nossas criaturas, nem podem chegar os
concebidos em pecado.
É nossa escolhida, única e singular, a quem demos
graça e participação em nossas perfeições, ultrapassando a norma comum ás outras
criaturas; nela depositamos os tesouros e dons de nossa incompreensível
divindade, e ela, com a máxima fidelidade, os guardou e fez lucrar os talentos
que lhe demos; nunca se afastou de nossa vontade, achou graça (Lc 1, 30) e
complacência a nossos olhos.
Meu Pai, retíssimo é o tribunal de vossa misericórdia e justiça, e nele se pagam
os serviços de nossos amigos, com superabundante recompensa. Justo é que á minha
Mãe se de o premio de Mãe; e se em toda sua vida e obras foi semelhante a Mim,
no grau possível á pura criatura, também o há de ser na glória; tenha lugar no
trono de nossa Majestade para que, onde está a santidade por essência, esteja
também a máxima santidade por participação.
A glória da alma de Maria
Este decreto do Verbo
humanado foi aprovado pelo Pai e o Espírito Santo.
A alma santíssima de Maria foi elevada á destra de seu
Filho e Deus verdadeiro e colocada no mesmo trono real da santíssima Trindade,
onde nem homens, nem anjos, nem serafins chegaram, ou chegarão jamais, por toda
a eternidade.
Esta é a mais alta e excelente preeminência de nossa Rainha e Senhora: estar no
mesmo trono das divinas Pessoas, e ter lugar de Imperatriz, quando os demais o
tem de servos e ministros do sumo Rei. A eminência e majestade daquele lugar,
inacessível para todas as demais criaturas, correspondem em Maria santíssima os
dotes da glória: compreensão, visão e fruição. Daquele objeto infinito que, em
inumeráveis e diferentes graus, gozam os bem-aventurados, Ela goza acima e mais
do que todos. Conhece, penetra, entende muito mais sobre o ser divino e seus
atributos, do que todo o resto dos bem-aventurados.
Entre a glória das divinas Pessoas e a de Maria santíssima há distancia
infinita, porque a luz da Divindade, como diz o Apóstolo (1 Tm 6, 16), é
inacessível e só ela habita a imortalidade e glória por essência.
A alma santíssima de Cristo também excede, sem medida, aos dotes de sua Mãe. Não
obstante, comparada a glória dos santos, a desta Rainha ultrapassa a de todos de
modo inatingível, tendo com a de Cristo uma semelhança impossível de se explicar
e entender nesta vida.
Complacência divina por Maria
Tampouco se pode reduzir a
palavras o gozo que os bem-aventurados receberam neste dia, cantando novos
louvores ao Onipotente e á glória de sua Filha, Mãe e Esposa, em quem eram
glorificadas as suas obras.
Ainda que Deus não pode receber nova glória interior, porque a teve e tem
completa, imutável e infinita desde sua eternidade, neste dia foram maiores as
demonstrações exteriores de seu agrado e complacência, no cumprimento de seus
eternos decretos.
Do trono real, como da pessoa do Pai, saia urna
voz a dizer: Na glória de nossa dileta e amantíssima Filha, cumpriram-se nossos
desejos e santa vontade, com plenitude de nossa complacência. A
todas as criaturas demos o ser que elas tem, criando-as do nada, para serem
participantes de nossos bens e tesouros infinitos, conforme á inclinação de
nossa bondade imensa.
Este beneficio foi frustrado por aqueles que criamos com capacidade para nossa
graça e glória. Só nossa querida Filha não teve parte na desobediência e
prevaricação dos outros, e mereceu o que os indignos filhos da perdição
desprezaram. Nosso coração não foi decepcionado por Ela em nenhum momento.
A Ela pertencem os prêmios que, por nossa vontade condicional, tínhamos
preparado para os anjos desobedientes e para os homens que os imitaram, se todos
tivessem cooperado com nossa graça e chamado. Ela compensou este desacato, com
sua obediência e submissão. Agradou-nos, plenamente, em todos seus atos e
mereceu o lugar no trono de nossa Majestade.
Assunção de Maria ao céu
A procissão dos anjos e
santos entrou no céu. No fim dela, vinham Cristo, nosso Salvador tendo á direita
a Rainha vestida de ouro, como diz David (SI 44, 10), e tão formosa, que foi a
admiração da corte celeste. Todos se voltaram para contemplá-la e bendizê-la com
jubilosos cânticos de louvor.
Ali se ouviram aqueles misteriosos elogios escritos por Salomão: Sai, filha de
Sião, para ver vossa Rainha, a quem louvam as estrelas matutinas e festejam os
filhos do Altíssimo.
Quem é esta que sobe do deserto, qual urna névoa de perfumes (Ct 3, 6)? Quem é
esta que se levanta como a aurora, mais formosa que a lua, escolhida como o sol
e terrível como muitos esquadrões perfilados (Ct 6, 9)? Quem é esta que sobe do
deserto, apoiada a seu dileto, transbordando delicias (Ct 8, 5)?
Quem é esta, em quem a Divindade encontrou mais complacência do que em todas as
criaturas, e a eleva, acima de todas, ao trono de sua inacessível luz e
majestade? Oh! maravilha nunca vista nestes céus! Oh! novidade digna da infinita
sabedoria! Oh! prodígio desta onipotência que assim a exaltas e engrandeces!
Maria recebida pela Santíssima Trindade
Com esta
glória, chegou Maria santíssima, em corpo e alma, ao trono real da santíssima
Trindade, onde foi recebida pelas três divinas Pessoas, em amplexo indissolúvel.
O eterno Pai lhe disse: Sobe mais
alto que todas as criaturas, minha escolhida, minha filha e minha pomba.
O Verbo humanado: Minha Mãe, de
quem recebi a natureza humana e o retorno de minhas obras que perfeitamente
imitaste, recebe agora de minha mão a recompensa que mereceste.
O Espírito Santo: Minha amantíssima
Esposa, entra no gozo eterno correspondente a teu fidelíssimo amor, e goza sem
receios, pois já passou o inverno do padecer (Ct 2, 11) e chegaste á posse
eterna de nossos abraços.
Ali ficou Maria Santíssima absorta entre as divinas Pessoas, mergulhada naquele
pélago interminável e abissal da Divindade, enquanto os santos enchiam-se de
admiração e novo gozo acidental...
Fonte:
Livro: “Mística Cidade de Deus” – Maria de Agreda - Espanha Século XVII
Quarto Tomo - páginas: 393 a 397 - Capítulo 21

Corpo incorrupto de Soror Maria de Agreda
Prova da veracidade das Aparições que ela presenciou e relatou em Mística Cidade
De Deus.